domingo, 31 de julho de 2011

Cidade em Fotodrama - 1º Estudo

A rua como palco e seus transeuntes como personagens. A cidade em Fotodrama. Transformar o movimento urbano em experiência artística e ampliar a vivência pública dos Maquinistas são alguns dos objetivos da intervenção proposta pelo Teatro de Maquinaria. Tendo como base a linguagem cênica e cinematográfica, os Maquinistas intervêm na paisagem através da manipulação de enquadramentos sob diferentes tamanhos, jogando de forma artesanal com o espaço e despertando o olhar do espectador para as questões do cotidiano.






fotos: Vicente Leal
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Oficinas

Os artistas ligados ao Teatro de Maquinaria também atuam na formação e capacitação profissional. Para tanto, oferecem oficinas e vivências a partir do processo de pesquisa realizado junto ao grupo. Mais detalhes em:  OFICINAS

quinta-feira, 14 de julho de 2011

AS TRÊS LARANJAS

As Três Laranjas é um projeto de montagem iniciado pelo Teatro de Maquinaria no primeiro semestre de 2011. Com o objetivo de desenvolver uma frente de ações relacionadas à rua, o grupo constrói este espetáculo tendo como referência os elementos estéticos do cinema mudo e o trabalho criativo do ator a partir dos exercícios biomecânicos, formulados pelo russo Vsevovlod Meyerhold no início do século XX. A todo instante é preciso pensar em ganhar o pão de cada dia, três homens e uma aposta, duas mulheres e três laranjas, quem ganha?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Falando um pouco sobre a voz/palavra/emissão - por Rodrigo Reinoso

"(...) Para cada situação, e para a sua interpretação pela voz, pode-se tentar encontrar a ressonância apropriada. Isto se aplica ao treinamento, mas não ao preparo do papel. Os exercícios e o trabalho criativo não devem se misturar. (...) Meu princípio básico é o seguinte: não pense no instrumento vocal, não pense nas palavras, mas reaja - reaja com o corpo. O corpo é o primeiro vibrador, a primeira caixa de ressonância"1

Durante esse processo ainda não entramos na questão da voz ou a busca pela a palavra expressiva. Queria nesse texto levantar questões, não exatamente sobre o trabalho técnico, mas sobre o uso e a escolha estética que muitas vezes ele é inserido. Posso dizer que a preocupação maior é no tratamento da palavra e nas formas de emissão do som. Vendo geralmente os trabalhos que privilegiam a palavra ou o corpo, me parece que talvez uma pesquisa conjugada seja incoerente. Às vezes observando esses tenho a impressão de que os dois são incompatíveis, não são coabitáveis. O que se pode observar é que a força corporal emudece a voz e a força vocal paralisa o corpo, em muito das vezes. Por estar nesse momento pensando o corpo é que acho que podemos pensar a voz e dar a ela um treinamento com que voz e corpo estejam integrados, que essa barreira que imaginamos ter seja transpassada, digo imaginamos porque obviamente sabemos que voz também é corpo e como corpo também pode construir imagens no espaço. A partir dessas reflexões sobre esse trabalho conjugado que imagino que além do aquecimento habitual e técnico, devemos incorporar também aos treinos vocais um aquecimento que amplifique as possibilidades imaginativas, onde a palavra extrapole o limite do significado comum. Pensando no trabalho dos exercícios plástico, sugeridos por Grotowski, podemos propor um diálogo de respostas entre corpo, voz e imaginação, onde essa voz seja a resposta da construção desse corpo e deixando que esse diálogo produza associações, construa imagens sonoras. Fazendo-nos não ater somente o ato de falar. Precisamos aprender fazer com que leiam nossas emissões, com que o som que saem de nossas bocas não seja meras ilustrações do que é visto, lógico pensando a partir da pesquisa que nós estamos buscando. Já que o corpo é força, a voz deveria no trabalho corporal ser a amplificação dessa força. Outro trabalho que acho que nos traria muito material é a pesquisa que Laban, em seu livro “Domínio do Movimento”, vai propor ao corpo. Um teórico que nada cita sobre a palavra/voz, mas seu trabalho com o corpo serve de inspiração para busca dessa palavra/voz expressiva, para criação de formas sonoras, da busca do preenchimento do espaço com essa matéria e de não só desenhar o espaço com o corpo, mas também com a voz. Penso em formas de trazer seus estudos sobre a qualidade de movimento do corpo para a qualidade de movimento da voz. Vendo sobre esses teóricos e também das nossas experiências com o trabalho voltado para voz podemos pensar em duas visões sobre a imagem da palavra. A primeira sobre o significado e força que tem cada palavra, em seu significado mais simples, e a outra é a imagem que queremos provocar através de determinada forma de emissão do som/palavra. Nesse segundo me permito associar ao trabalho de Artaud, que toca em poéticas que me atraem em Teatro e a peste e Teatro da Crueldade, a palavra/voz é algo que deveria contaminar ao publico, ou seja, transpassar os limites do ouvido. O Publico deveria se estremecer e se contagiar ao ser atingido pelas ondas sonoras. Sendo uma pesquisa delicada, pois temos que entender esse órgão e saber quais os limites dele, devemos nos dedicar aos treinos dessa questão a cada dia. Tentar não sobrecarregá-lo e nem danificá-lo. Ao mesmo tempo se entregar à pesquisa, sem medo de arriscar e não deixando com que o trabalho fique pela metade. Duas palavras Risco e atenção.

1 GROTOWSKI, Jerzy. Em busca de um Teatro Pobre. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. P.138